Sou uma alma insubmissa
Do escuro nascida
De asa partida
Sem trancas na porta
Nem chaves no coração
Sobrevivente dos subterrâneos
Onde a vida morreu
E a esperança nem sequer nasceu
O meu caminho foi feito de pedras
E notas dissonantes de flauta quebrada
Vivi no silêncio, por mão sufocada
Mas levantei-me um dia
A escuridão abortou de mim
De punho erguido, alma revoltada
Expulsei o ódio
Rebentei as amarras, soltei-me
E vindo da noite. alta madrugada
Pulsando nas minhas veias
Como um raio de luz
Óvulo de amor
Pela liberbade fecundado
NASCEU ESTE MEU GRITO CLARO!
(Carmen Cupido in "Corpo do Poema)
A António Ramos Rosa:
Porque o seu grito claro libertou o meu grito claro da cela do ventre
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Sou uma alma insubmissa/Este meu grito claro
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Ninho de infinitos

Ninho de infinitos
Onde a vida gira em torno ao sol
Que amou a lua que pariu claridades misturadas
Germina o fruto no seu primeiro regaço
Bebendo o mistério directamente da fonte
Dorme o futuro num sono imperturbável
Nos braços interiores do corpo
Não há horas certas no tempo
Quando o primeiro sopro do Ser
Exige emergir do útero; em busca do ar do mundo...
"A Andreia e Gabriel, o ninho e seu infinito"
(Carmen Cupido in "Corpo do Poema")
Colhe ó Musa
Colhe ó Musa
Palavras de algodão
Nos campos da poesia
Desfia bem a matéria prima
No peito da inspiração
E para ter a certeza da sua imaculabilidade
Passa-a pelo banho da sensibilidade
Para extrair todo o supérfluo, o impuro
Segura firmemente o fio da fantasia
Nos dedos da imaginação
Porque a roca da escrita está pronta
Para fiar o poema;
E o Poeta, ansioso para o tricotar...
Tricota Poeta, tricota
Os fios de palavras
Que a Musa te deu
Que se cruzam e descruzam
Na ponta das agulhas da magia da poesia
Que rimam, que cantam melodias
Nos dias em que ouves guitarras
A tocar dentro de ti
Veste o poema de suavidade
Com um manto de calor doce
Como se eternamente fosse
Domingo à tardinha num fim de Verão
Nos olhos de quem lê...
(Carmen Cupido in "Corpo do Poema")
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Quero, por ti
Quero, por ti
Mudar o mundo
Mas perdi as forças
Quando a vida me encerrou
No meu próprio fundo
Quero, por ti
Levantar-me do meu fundo
Para ir mudar o mundo
Mas perdi o corpo na batalha
Que à espada talha
O que nunca foi, inteiramente
Como mudar o mundo
Encerrada no meu fundo
Se não existo, não sou, não estou
Quero, por ti
Gritar, pedir ajuda
Mas a dor repetida
Vorazmente sugou
O som à minha voz
Que tolhida
Se calou...
Quero, por ti
Das trevas fugir
O negrume diluir
Dar luz
Ao sentimento puro
Quando este atravessar
O ventre escuro
Para atingir a Madrugada
Quero, por ti...
(Carmen Cupido in "Corpo do Poema")
A tua morte não envelhece
A tua morte não envelhece
Não tem cabelos brancos
Nem rugas na cara
Teve um começo
Mas não tem um fim
Em cada instante do meu dia
Sinto-te em vida
E a tua morte parece fingida
Acordo, e estás em vida
Sorrio, e não morreste
Vivo, e tu vais a meu lado
No caminho...
Diz-me, quero saber
É a minha saudade que dói
Tanto, tanto que não te deixa morrer?
Ou é o remorso
Mudo arrependimento
Das palavras que nunca te direi
Dos beijos que guardarei
Do meu olhar que te procura
E não mais te encontra!
Guardo-te em vida
Por rancor
À dor que me deixaste
Ao morrer
Ou por Amor?
(Carmen Cupido in "Corpo do Poema")
sábado, 5 de setembro de 2009
Algo de morte nos olhos
Na minha voz
Um som sem som
Insone
Um trapo torcido,
Escorrido,
Da dor
Que a palavra